martes, 8 de abril de 2014



  Gosto de viajar sozinha. Aí é quando realmente observas, escutas, sentes, cheiras. Não há ninguém ao lado que te interrompa. Fui a Grécia. Encontrei casualidades, gentes, medos, mais gente, estranhos que deixaram de sê-lo no instante seguinte. Sentei-me durante horas nas praças, nas ruelas, buscando atardeceres sem máquinas disparando loucamente, pedi boleia, dormi sozinha numa praia deserta olhando o céu estrelado, meditando com o crochet na mão, em cafés, con frappes, sorrindo aos viandantes, fingindo ser parte daí, sentir-se parte de aí e de nenhum sítio.  Inventar-me um nome, um ofício, uma história nova para contar. Escrever no livro, tentar relatar, desenhar,  reencontrar estranhos, compartilhar uma conversa qualquer. Viajar e fotografar cantinhos, sombras, gestos, ferrugem, paredes, portas, caminhos; dizem muito do lugar. 

 E sem mais rodeios, Fernando Pessoa...

"Viajar? Para viajar basta existir.

Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.
Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.
«Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo.» Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o princípio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras. Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações?
A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos."

Bernado Soares, O Livro do Desassossego.



cortina ao vento


uma família e a sua moto


formas no mar



pinturas do sol


na casa da Ioulia




martes, 4 de febrero de 2014

Duendinhos.












































 O mais importante não é como nem quando, é fazer. E ponto.
  Mas a importância, realmente, não é importante. 


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A caminho.



cesta para o lanche de Kiran


xaile com restos de novelos de algodão


cachecol con capucha em agulha circular










































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